segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Poema pedido

Pediram-me um poema sobre ti
Eu não podia ter outra reacção
Escrevi, porém, um texto que não conta
Nem metade do que me vai no coração

Estas coisas não se fazem de encomenda
Estes versos nascem sem pedido
Já há muito que te escrevi tudo na cabeça
E agora nada disto faz sentido

Acedo a escrever alguma coisa
Mas qualquer palavra sabe a pouco
Só queria de ti mais um abraço
Só queria sentir de um simples sopro

Estava à espera que uma luz se me acendesse
Contava ver-te um dia e falar-te
Mas tu já não queres qualquer conversa
Foste sem o adeus de quem parte

Resta-me a tua imagem, e as lembranças
Resta-me saber que estás em paz
Lembro-me de todo o bem que me fizeste
Lembro-me de que como eras capaz

Que inveja tinham todos na aldeia
De alguém como tu. O meu Avô
De como eu te olhava com respeito
De como me ensinaste o que hoje sou

Não há pedido que se faça para contar
Tanta história, tanto momento, tanto querer
Não há verso ou prosa que encerre
Tanta vontade de viver

Hoje volto a estar triste porque foste
São assim as saudades, tristes e frias
Não voltarás para acalmar as minhas lágrimas
Mas sei que se pudesses voltarias

Por tudo isto e muito mais que guardo
Tenho a esperança de que saibas o que digo
Onde quer que agora tu repouses
Terás sempre em mim o teu amigo

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